terça-feira, 19 de julho de 2011

Sancta Maria

Isto não me sai da cabeça.

Assim, decidi escrever qualquer coisa que, penetrando na sombra deste pensamento e cortando-o, como uma quilha de um casco branco corta a corrente, me fizesse, magicamente, transformar o mar e o céu cinzento na realidade que me rodeia outra vez, com o sangue afluindo à cabeça furioso, para depois descair, mais uma vez aparece a curvatura óssea.






A frieza assombrosa, perfumada por uma escuridão reconfortante, invade as vias respiratórias de quem se atreve a entrar na igreja.

Ouvem-se passos. Um vulto negro percorre o chão de mármore, retido, retinido, absorvido e absorvente.

O Padre move-se em direcção ao altar e contempla a taça sobre a tábua de madeira a que chamam mesa, e a que ele chama a Pedra Basilar; está escuro. pega na garrafa de vinho e deita-a sobre o metal frio do cálice de onde irá beber o calor, algum calor que ao menos pudesse existir na sua alma. Assim, acende as velas, que lançam uma auréola de luz sobre a catedral, um escape estranho na calma de pedra que se instalara até então.

Como se estivesse num sonho, cambaleia sobre as escadas e desce até ao claustro. Dentro já de uma luz eléctrica, que percorre a sala até abranger os velhos quadros barrocos, puxa um cigarro e acende-o, numa contracção de culpa que lhe abafa o espírito. Ainda assim, leva a ponta redonda aos lábios e faz recuar a linha vermelha sobre as cinzas.

Porquê a conturbação? Havia tido dias piores...o céu estava azul, as casas eram rosas, cada sorriso, se não era uma flor, era uma constelação..

Dominus Tecum...

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