segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sala de manicómio (prosa)

Ainda consigo ver uma boca gritante

Nos resquícios de uma memória perdida

Ergue-se aberta e distendida

Emite um grunhido circundante












Mas porque raio de razão é que estou a escrever num blog?
A minha vida resume-se a imagens fugazes e pensamentos enrolados em teias, cada um mais pálido que o seguinte, mesmo que na sua falsidade transpareçam, através do vidro ou outra qualquer camada de matéria absurda na minha mente, laivos de calor. A minha boca já não existe.

O meu corpo já não existe.

Sou o quê?

Quando olho para baixo, só vejo um enorme poço. Estou na curva que se atreve a contorná-lo, e curvo-me numa vénia que mais uma vez se parece apagar numa banalidade de "não-existência". Vai-te lixar, para não dizer outra coisa, mas não vás - ESFUMA-TE, desfaz-te numa bola salivar! Corre e estilhaça-te nesta ilusão de atmosfera! Respira até te dissolveres e gerares nada e depois uma qualquer primavera elaborada. Pega nos objectos quotidianos e leva-os contigo para lá. Onde eu não te possa nem mais ver, e que em estilhaços chores à vontade mas longe da minha vista que não mais suporto o teu gemer. Pareces uma maçaneta estragada, não serves para nada, rais ta parta os muros da minha vida que mandaste erguer, agora esbarro contra eles não vejo mais nada à frente rema rumo à voz ausente loucura em turbilhão confusão confusão corro pelas ruas abruptamente num gesto de ansiedade a tremer a tremer a tremer e sou devoto a uma falsa imagem do deus que só desespero para reconhecEEEEEEEEEEr e manda e troca o passo acelero a fala reentrei no espaço devora faz grita rói dura mole o que quer rasgar em molde fazer história soldadinho dedinho pronunciado a meu ver e raio partido num vaso quebrado sabor amargo ao estarrecer na manhã dura pranto brave e oca que me mandou






esquecer?





RRRRRRRRRRRRama  de um sentimento maior

gostaria de racionalizar.

Olhe, e é mais uma megalomania, fachavor, ta bem? Brigado.


A partir daqui, chamas amarelas imponentes.



E saí do negro onde me encontrava só para enfrentar isto?

Que merda que eu fui arranjar.

Quem me dera não saber.

A felicidade nunca posso aliviar.

(e com uma faca envolvida pela minha língua, penso da minha base fina e instável)

A minha vida é uma doença incurável.

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