Agulhas de roseira que pisam os teus lábios molhados
O estrambelhar da corte a exibir os artifícios prateados
de correntes secas e circundantes
metálicos sons de pequenos sinos distantes
Cheira a suor; vê-se a plenitude de cinzento no ar;
sente-se consciência azul e deprimente
Em vara preta e brincalhona, move-se quente
E agita o doce líquido de azul mar.
Vejo a grandeza de cima
Quando a tento agarrar, foge-me das mãos
escorrega-me docemente dos meus dedos esguios
Desliza de novo para os seus lugares, para os seus ternos medos frios,
E não quer saber de fábulas, nem de brutos esforços vãos.
Punhal diagonal que se ergue
projecta uma sombra na roda em parede branca
Será que cede, será que canta?
não penso que mate, penso que arranca
A uma musa esguia o coração.
É um canto de sereia que me encanta
E me leva estável e decidido
Para a frente de um discutível castigo
Espera: afinal é noção
É lunática batalha, vermelha paixão
Indecisa lareira, alento aquoso de mineral solidão.
E observo ainda largamente
Num silêncio cavernoso e sorridente
Este nosso mundo, tão sólido e latente
História muda matizada de amarelo em radiação
Pois mexem-se as máscaras neste teatro, nesta ilusão
E não param o espectáculo até que a hora final chegue
Que a Sombra os cubra de escuridão
E envolva num manto até que reste apenas
Escuridão pulsante,
lustro de pó
E penas.
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